Candidatas e líderes de uma eleição feminina e representativa

O Círculo Feminino Tais Caldas conversou com duas candidatas para esta eleição. Uma delas é a Duda Alcantara, que está se lançando pela primeira vez candidata pela REDE Sustentabilidade – confira a Live realizada com essa brilhante mulher e veja se ela te representa! E a outra é a líder Aline Torres, mulher negra, periférica, feminista e jovem, “tipo quase de esquerda” candidata a deputada federal pelo PSDB e amiga do ambiente social e corporativo. Ambas com histórias inspiradoras, guerreiras em suas lutas buscando a transformação no Congresso.

Aline Torres é formada em relações públicas e especializada em gestão de projetos culturais e organização de eventos. Trabalhou em órgãos públicos em Viradas Culturais Paulistanas e Esportivas. Em 2015, cuidou da Coordenadoria do ProAC, programa paulista de fomento à cultura por meio de renúncias fiscais e patrocínios.

Aos 32 anos, Aline quer construir um mandato coletivo e propor uma reforma política como disse na reportagem concedida à Carta Capital. “Precisamos de regras taxativas de divisão do fundo eleitoral. Muitas mulheres de outros partidos estão sendo lesadas e não há como iniciar qualquer reforma na sociedade sem corrigirmos esse vazio”, explica. Confira a Live que o Círculo Feminino Tais Caldas realizou com a candidata recentemente.

Com essa conscientização feminina sobre a política, convidamos a Duda Alcantara para a entrevista sobre a representatividade das mulheres na política brasileira atual.

Sendo uma das fundadoras do movimento suprapartidário Vote Nelas, a candidata traz dados e dicas para nós mulheres.

Há quase quinze anos é voluntária em projetos que trabalham com o desenvolvimento comunitário, construções de casas emergenciais, desenvolvimento pessoal e combate à violência através da meditação, educação e transformação social. Confira a entrevista para o Círculo Feminino Tais Caldas.

CF: Existe um movimento muito grande que “trabalha” a maior representatividade da mulher no Congresso. Como você vê isso? Conte-nos um pouco.

Duda Alcantara: Esse movimento está finalmente se expandindo. Na verdade, ele existe há muito tempo, só que de forma tímida. Desde o começo do século, quando exigimos o direito a voto, já buscávamos ter voz no congresso e nos lugares de poder e de tomada de decisão. No começo do século lutamos para votarmos e agora estamos lutando para sermos votadas.

CF: Você representa um movimento chamado Vote Nelas. Como funciona e qual o objetivo?

Duda Alcantara: Sim! Sou uma das fundadoras! Queremos exatamente isso: MAIS MULHERES NA POLÍTICA, mais mulheres em todos os lugares. Isso traz diversidade de ideias, visões, traz referência para uma nova geração de mulheres que começam a enxergar o congresso como uma possibilidade! Lugar de mulher é onde ela quiser e o movimento vai dar visibilidade para 108 candidatas do Brasil todo, 4 de cada estado, para Deputada Federal e Deputada Estadual.

CF: De acordo com a  reportagem do Estadão, “baixa presença feminina no Congresso põe Brasil em 152º lugar entre 190 países”. Por que isso? Você acha que podemos mudar esse contexto?

Duda Alcantara: Acho que devemos! Temos! É surreal pensar que temos um congresso com menos mulheres do que países como Arábia Saudita, Oma e Afeganistão! Quando nos comparamos com outros países percebemos realmente o quanto atrasado estamos e o quanto temos que mudar esse cenário. Países que estão no topo do ranking são menos corruptos. Esse foi um dos indicadores para a polêmica reportagem dizendo que mais mulheres na política significa menos corrupção.

CF: O País tem cotas para mulheres nas candidaturas – a lei diz que “cada partido ou coligação preencherá o mínimo de 30% e o máximo de 70% para candidaturas de cada sexo”. Mas não há tanto apoio financeiro às candidatas, então poucas se elegem, avalia o IBGE. Como mudar isso?

Duda Alcantara: Na verdade, recentemente foi aprovada uma lei garantindo também a destinação de 30% do recurso para candidatas mulheres – o que na teoria resolveria, mas os critérios ainda são vagos. Em 90% dos casos, quem escolhe para qual mulher vai o investimento são os homens, com critérios pouco transparentes. Eu tendo a acreditar  que precisamos de cotas dentro do congresso, onde garantimos vagas para as mulheres mais votadas, assim como homens mais votados. Foi assim que Arábia Saudita, por exemplo, conseguiu avançar nessa diversidade tão necessária!

CF: Quando falamos em mudanças, quais são as suas propostas para essa transformação?

Duda Alcantara: Eu sou arquiteta. Antes de fazer gestão pública, me formei em arquitetura e urbanismo e vejo as questões da cidade como acesso à moradia, saneamento, mobilidade, estrutura como cruciais no país. Temos mais de 85% de pessoas vivendo nas áreas urbanas e precisamos repensar a forma como estamos construindo ou não nossas cidades!

Esse com certeza é o primeiro ponto, mas o que a política mais precisa hoje é de renovação, gente nova. Precisamos tirar das mãos dos 30% de deputados que estão sendo investigados por corrupção o poder de decidir nosso futuro, precisamos de mulheres, precisamos de pessoas que estejam realmente interessadas em servir o país e trabalhar para o melhor, e eu sou uma dessas pessoas.

CF: Qual a mensagem que você pode passar para que as mulheres estejam na política e participem mais da política no Brasil?

Duda Alcantara: Eu gostaria de passar duas mensagens. Uma para todos os brasileiros: faça as pazes com a Política! Nós só vamos mudar o cenário que estamos vendo quando todos nós engajarmos nessa transformação e nos aproximarmos da política juntos. E mulheres: a política precisa MAIS ainda de nós! A eleição está nas nossas mãos! Somos hoje a maioria da população e dos votos brancos e nulos. Temos o poder de decidir o futuro do nosso país esse ano, então vamos nos unir em prol de candidaturas femininas e transformar o rumo do Brasil.

Mais informações sobre a arquiteta e candidata a Deputada Federal, através deste link.

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Tais Caldas

Sou Tais Caldas, idealizadora e facilitadora do Programa Círculo Feminino. Desenvolver grupos de mulheres interessadas em autoconhecimento, resgate de autoestima e redescoberta do prazer na vida. Possuo Capacitação em Saúde e Educação Sexual pela ABRASEX – Associação Brasileira dos Profissionais de Saúde, Educação e Terapia Sexual. Além disso, crio arte em aquarela e sou uma amante da aromaterapia, sendo esses meus hobbys. Formada em Relações Internacionais pela PUC-SP e pós-graduada pela Unesp. Atualmente estou em minha segunda graduação, em Psicologia.

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