Os números da menstruação, nós e o planeta.

Somos 3 bilhões de mulheres hoje no mundo produzindo mais de 70 mil absorventes individualmente.

Hoje faremos alguns cálculos interessantes para nós mulheres. Vamos começar?

Supondo que uma menstruação dure 7 dias – uma semana. E sabendo que um ano tem 12 meses ou 52 semanas.

Acompanhem. Calcula-se, na média, o seguinte:

Se uma mulher menstrua 7 dias – uma semana – por mês, em 12 meses – ou 1 ano, ela terá ficado “sangrando” 84 dias. Ou seja 23% do ano!

Agora, da menarca – 1ª menstruação – até a menopausa, vamos supor o seguinte: essa menina menstruou com 12 anos e entrou na menopausa aos 52 anos – claro que é só para facilitar nossa conta! – , ou seja, ela ficou 40 anos menstruando ou 4 décadas! Incrível, não? Os 40 anos são 480 meses ou 2.080 semanas.

Se pensarmos que o mês tem 4 semanas e que 1 delas estamos em TPM e a outra menstruando, temos metade do mês sem o assunto à tona. Ou seja, são 1.040 semanas da vida onde estamos envolvidas com TPM e menstruação. Ou apenas 520 semanas menstruando.

E tem mulheres que ainda não querem olhar para isso, querem mascarar com diversos tipos de comprimidos e bola pra frente. Mesmo?

Agora, abordando uma outra visão: assumindo que em 1 dia de menstruação, a pessoa use apenas 3 absorventes por dia. Em 7 dias, ela usou 21 absorventes por mês. Agora, resgatando os 84 dias – 7 dias menstruando x 12 meses -, temos que em um ano, essa única mulher usou 1.764 absorventes. O que em 40 anos significa 70.560 absorventes produzidos de lixo por uma única mulher.

Agora, em 2018, estima-se que a população do planeta é algo em torno de 7 bilhões e meio. E que algo em torno dessa metade são mulheres. São 3 bilhões de mulheres hoje no mundo, dentre elas, algumas vão entrar na menarca, outras já menstruam e outras já pararam. Mas aqui já é tanto zero que eu perderia a conta se multiplicasse pelos números acima.

Agora, esse lixo é tóxico, poluente ou desintegra facilmente na natureza?

A produção do absorvente é feita com o cultivo do algodão que requer muita água, muito pesticida e muito fertilizante. Todos os absorventes possuem camada plástica, ou só no adesivo embaixo ou em cima do algodão também, o que por si só é uma produção que exige muita energia – lembrando que tradicionalmente o plástico vem do petróleo. Ou seja, depois de utilizados, o material sintético desses mais de 70 mil absorventes usados ao longo da vida de uma só mulher leva 100 anos para se decompor.

Concluindo, sua neta ou bisneta estará vivendo no mesmo planeta onde seus 70 mil absorventes usados estarão em lixões ainda em processo de decomposição. E cada um deles com sua química, entrando em contato com o solo e a água do planeta, depois de entrar em contato com a pele e o sangue de cada mulher, e isso por anos.

Há alternativas? Sim, muitas! 

O velho paninho ou a toalhinha da vovó, o absorvente de pano mega moderninho, o coletor menstrual, a esponja e até as calcinhas absorvente!

Agora você pode estar pensando “é apenas emendar cartelas de anticoncepcional e nunca mais menstruar”. Não entro aqui no mérito, seria uma outra discussão polêmica, mas por ora vamos dizer apenas que esta não é uma opção. Podemos voltar e discutir isso em outro momento.

E você? Já tinha pensado nesses números? Eu me assustei! Confesso.

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Tais Caldas

Sou Tais Caldas, idealizadora e facilitadora do Programa Círculo Feminino. Desenvolver grupos de mulheres interessadas em autoconhecimento, resgate de autoestima e redescoberta do prazer na vida. Possuo Capacitação em Saúde e Educação Sexual pela ABRASEX – Associação Brasileira dos Profissionais de Saúde, Educação e Terapia Sexual. Além disso, crio arte em aquarela e sou uma amante da aromaterapia, sendo esses meus hobbys. Formada em Relações Internacionais pela PUC-SP e pós-graduada pela Unesp. Atualmente estou em minha segunda graduação, em Psicologia.

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